
A mente se desdobrava em um caleidoscópio de memórias, qual vidro vivo bem à sua frente. Súbito, o vento de sua emoção implode o ambiente - coração, e éons de memórias, linhas do tempo e possibilidades em infinitos cacos são arremessados junto com ele para o turbilhão.
Subiu pelo que parecia ser o próprio tempo, o olho da tempestade. As nuvens negras conduziam raios, mas não sentia medo. As cenas vítreas brilhavam refletindo-os ao seu redor.
Sentia paz. Tudo ao seu redor rodopiava, mas era senhor da situação e enxergava com clareza cada passagem contida nos reflexos daqueles fragmentos.
Percebeu que podia mover-se em meio à ventania, como quisesse... Os grilhões, o recipiente que o continha - tudo estraçalhado. Mais uma vez era livre.
A água que violentamente batia em seu rosto, a eletricidade presente no ar, a sensação de espaço ilimitado - tudo era uma coisa só, e ele era um com aquele espetáculo da natureza.
Livre do desejo e do apego, procurou então o fio do destino que levava ao pedaço de seu multiverso, que havia escolhido. Rápido como um projétil, lançou-se em sua direção, forte como a própria tempestade. Mergulhou então naquele fragmento do grande Vitral da Criação, o caminho que havia decidido viver, a história que um dia contaria. Era um só, era si mesmo, mais uma vez.
ouvindo Royksopp - What else is there

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