quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eye of the storm


A mente se desdobrava em um caleidoscópio de memórias, qual vidro vivo bem à sua frente. Súbito, o vento de sua emoção implode o ambiente - coração, e éons de memórias, linhas do tempo e possibilidades em infinitos cacos são arremessados junto com ele para o turbilhão.
Subiu pelo que parecia ser o próprio tempo, o olho da tempestade. As nuvens negras conduziam raios, mas não sentia medo. As cenas vítreas brilhavam refletindo-os ao seu redor.
Sentia paz. Tudo ao seu redor rodopiava, mas era senhor da situação e enxergava com clareza cada passagem contida nos reflexos daqueles fragmentos.
Percebeu que podia mover-se em meio à ventania, como quisesse... Os grilhões, o recipiente que o continha - tudo estraçalhado. Mais uma vez era livre.
A água que violentamente batia em seu rosto, a eletricidade presente no ar, a sensação de espaço ilimitado - tudo era uma coisa só, e ele era um com aquele espetáculo da natureza.
Livre do desejo e do apego, procurou então o fio do destino que levava ao pedaço de seu multiverso, que havia escolhido. Rápido como um projétil, lançou-se em sua direção, forte como a própria tempestade. Mergulhou então naquele fragmento do grande Vitral da Criação, o caminho que havia decidido viver, a história que um dia contaria. Era um só, era si mesmo, mais uma vez.

ouvindo Royksopp - What else is there

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cause is this bittersweet symphony that is life...


Garçom, desce mais uma!
Cara, cerveja é algo amargo... mas que aprendi a apreciar.
Acho que na vida passamos por momentos doces, amargos, agridoces... tem gente que vive azeda, e de salgados já bastam os preços das coisas.
E eu notei que eu parei no mesmo sabor por tempo demais... ando amargo e perdendo a doçura que já possuí um dia.
Mas sabe de uma coisa? é como fazer um pedido em um restaurante. Vai do gosto do freguês!
E eu não quero mais ter gosto de jiló com um toque de cabo de guarda-chuva. Amarga, só minha cervejinha. E que daqui pra frente eu continue apimentado, isso sim!
Resolvi então ressuscitar alguma coisa das poesias que escrevi quando fiz Letras... talvez soem juvenis e apaixonadas por demais... mas se meus dias tinham um gosto bom naquela época, por que não repetir a dose agora? Prometo não omitir nenhuma parte nem fazer as correções que eu faria hoje em dia...


"Dorme, minha menina. Dorme o sono dos arcanjos sublimes. Indago que sonhos se passam em ti neste momento. Será que estarei neles? Observo-a e meus pensamentos flutuam, enamorados pela tua respiração tranquila.
Penso em tocar-te, mas não devo... não se acorda um anjo que dorme sereno e belo, pecado condenável com o exílio longe deste ser encantado. Perduro então apenas admirando, inebriado por cena tão cativante, cativante para este mortal tão cansado, que raras vezes tem contato com estes zéfiros do amor, mensageiros da vontade divina.
Súbito despertas, e é mais belo o teu sorriso... uma risada bate aos meus ouvidos e toca meu coração. Despertas, e é quase ou tão mais encantadora do que em teu sono profundo. De ti irradia um brilho incomum, e paira sobre minha face um olhar que jamais saberei descrever. Perca tuas asas por mim, arcanjo, torna-te mortal e vive ao lado daquele que te admira"

Esta foi uma espécie de "prosa poética", ou qualquer que seja o nome que se dê a isso, escrita enquanto eu observava... alguém dormindo, e isso basta.


Dos montes as brumas
geladas escuras
A névoa, o gelo
escutas! escutas!

É noite, ´stá frio
é curto o pavio
da vela que treme
pirata! navio!

Aporta, ancora
o silêncio lá fora
algo denuncia
embora! embora!

A vil emboscada
na água gelada
sussurros na noite
armada! armada!

Brandir de espadas
subir de escadas
silêncio mortal
sem mais emboscadas!

Cruel o açoite
finda a noite
Tranquilo o lugar
eu vou descansar

Esta não tem nome e provém dos meus devaneios de tanto ler e assistir histórias de piratas, cavaleiros, elfos e coisas fantásticas que povoam a minha mente.

Bom, é isso. E a sua vida, que gosto tem?



Ouvindo The Verve - Bittwersweet symphony